2 cartas de amor

09:06

I.

Existe realmente amor não correspondido? Eu estava pensando que talvez não. Talvez haja apenas duas pessoas, e uma delas tende a viver muito mais no passado. O passado de um relacionamento que terminou, ou o passado de um breve momento, um olhar, um leve toque.
Estou questionando meu fascínio por você. Eu preciso fazer isso. Eu preciso questionar tudo.
Talvez eu continue vivendo no passado de nossas interações, e eu só precise sair de lá.
Seus olhos.
Seus olhos.
Suas mãos.
Sua silhueta.
Seu pescoço.
O jeito que você fica em pé.
O jeito que você se move.
É como se eu estivesse cantando uma canção de ninar para mim mesmo.
Essa sua canção de ninar… Dolorosa, mas reconfortante.
Quão doce você fez este mundo para mim. É difícil, difícil sair daqui.


English:


Is there really such a thing as unrequited love? I was thinking that maybe not. Maybe there’s just two people, and one of them tends to live in the past much more. The past of a relationship that ended, or the past of a brief moment, a look, a slight touch. 

I’m questioning my fascination with you. I need to do it. I need to question everything. 

Maybe I keep living in the past of our interactions, and I just need to get out of there. 

Your eyes.

Your eyes.

Your hands.

Your silhouette. 

Your neck. 

The way you stand.

The way you move.

It’s like I’m singing a song to myself.

This lullaby of you… Painful, but comforting.

How sweet you made this world to me. It is hard, hard to get out of here. 



II.

Eu preciso viver em silêncio. O barulho me envenena. Me deixa com tanta raiva; dói tanto. Bem, dor e raiva, qual é a diferença aí, afinal? Mas barulho, qualquer coisa alta, também me faz perder as noções de espaço e tempo... de quem eu sou, onde estou e tal.

Eu preciso de silêncio, e eu o reverencio.

Você costumava amar o silêncio.

Bem, escrever é um alívio para os amantes do silêncio. Posso deixar minhas palavras aqui, neste papel.

A vida essencial, pura, acontece em silêncio. Basta pensar… Pense na sua paisagem favorita, no seu par de olhos favorito, na sua pele favorita…

Eu não sei mais nada sobre você.

Eles têm o diabo em suas mãos. Se eu soubesse dizer às pessoas o que fazer, teria dito a você para não ir com eles.

Mas... eu não faria isso. Eu não diria a você o que fazer.

Eles querem que sua raiva signifique alguma coisa. Eles contam a si mesmos histórias sobre sua raiva. Eles são perigosos. Talvez agora você também seja perigoso. Mas acho que não sou capaz de ter medo de você. Eu não acho que sou capaz de me distanciar de você, ou cortar você completamente. É minha fraqueza. Eu sou incapaz de não te amar.

Eu vejo você e todo esse mundo palpável ao nosso redor se derrete. Não há nada... E isso é tão bom.

Olha, eu não preciso que você seja minha. Eu queria que o mundo visse seu esplendor... Eu queria que você visse seu esplendor.

Ah, eu amo o silêncio. O silêncio parece amor... Como paz... Como Deus. A sensação de você é como o silêncio para mim. Por favor volte.

Volte para mim.


English:


I need to live in silence. Noise poisons me. It makes me so angry; it aches so bad. Well, pain and anger, what’s the difference there, anyway? But noise, anything loud, also makes me lose notions of space and time… of who I am, where I am and such.

I need silence, and I revere it.

You used to love silence. 

Well, writing is a relief for silence’s lovers. I can just leave my words here, on this paper.

Essential, pure life, happens in silence. Just think… Think of your favorite landscape, your favorite set of eyes, your favorite skin…

I don’t know anything about you anymore.

They have the Devil in their hands. If I knew how to tell people what to do, I would have told you not to go with them. 

But… I wouldn’t do that. I wouldn’t tell you what to do.

They want their anger to mean something. They tell themselves stories about their anger. They’re dangerous. Maybe now you’re dangerous too.  But I don’t think I’m capable of being afraid of you. I don’t think I’m capable of distancing myself from you, or cutting you off completely. It’s my weakness. I’m incapable of not loving you. 

I see you and all this palpable world around us melts away. There’s nothing… And it feels so good.

Look, I don’t need you to be mine. I wanted the world to see your splendor… I wanted you to see your splendor. 

Oh, I love silence. Silence feels like love… Like peace… Like God. You feel like silence to me. Please come back.

Come back to me.


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