Cartas de amor - I

11:36

Estou escrevendo uma coleção de cartas de amor, ficcionais e outras nem um pouco... Muitas vezes a mistura das duas coisas. Elas aquecem meu coração sem eu saber por que... Eu acho que cartas fazem isso. Eu vou começar a postar algumas delas. Aqui vai a primeira, que é uma apresentação, e a carta número 12. Haverão tipos de cartas bem diferentes ao longo do caminho... Mas eu quero postá-las individualmente.



1
1. 

Agora eu quero escrever 425 poemas de amor, um para cada dia que eu senti sua falta. Eu quero escrever como aqueles homens delirantes do século XIX. Eu posso ser delirante, se posso. Há muita zombaria contra o drama, e eu me incluo nisso, mas ele pode formar uma narração tão sincera. Eu sempre encontrei a verdade no drama, na música, no cinema, nos livros, em mim.
Vou tentar.
Primeira tentativa com a verdade: faz mais de 425 dias.


  
 12.

Quando nos deitamos nus sob as estrelas e eu sabia exatamente quem você era, aquilo foi o Paraíso.  
Eu não sei mais, mas eu sinto muito a sua falta. Dói no meu estômago.
Existe algo nos seres humanos, aquela coisa que todos sentimos, bem no fundo, no âmago, que não muda de verdade, mas se completa. Outras coisas mudam, como parte da jornada, parte da personalidade coletiva que compartilhamos como irmãos e irmãs, ela flutua no ar, no Universo. O que mudou em você? Eu gostaria de saber.
Quanto a mim, eu parei de beber. Tenho lido muitos mais livros do que de costume. Não consegui terminar dois cursos, que me ajudariam no trabalho, e até os de línguas que eu sempre quis aprender, você sabe, francês e italiano. Eu me sinto mais tranquilo, mas às vezes ainda não durmo bem. Eu achei que eu era uma pessoa mais da manhã, mas agora tenho minhas dúvidas. Eu entendo um pouco mais sobre Deus e Jesus. Eu acho que gosto muito de filmes e documentários sobre assassinos em série apesar de eles me aterrorizarem, e eu tenho alguns pensamentos sobre seus cérebros, suas existências aqui, e Deus. Eu adoraria conversar sobre tudo isso com você... Eu não sei se tem outra pessoa que realmente discutiria essas coisas comigo. Eu gostaria de pegar a estrada muita mais com você, eu me arrependo de não arranjar tempo para isso. E eu... Eu não te deixaria ir de novo... Eu não viraria minhas costas... Eu não escutaria meu orgulho. Eu lutaria por você... sem te deixar se perguntando se eu te amo ou não. Você saberia, ah saberia. Eu te falaria das citações dos livros que eu finalmente li que me fazem pensar em você.
Muitas mudanças. Acho que todos mudamos dentro do curso de um dia, pulando de um estado para o outro, eles se revezam. Mas aqui no meu âmago eu sempre vou te amar, como amei antes, sim, amei. É com a minha alma que eu te amo. Mesmo que eu não consiga explicar muito bem, como eu gosto de fazer com tudo...
Porque talvez esses assuntos de coração e alma não foram feitos para serem integralmente explicados. Então seguindo a lógica do inexplicável, quão tremendo seria o número de cartas trocadas pela Humanidade dizendo apenas: Eu te amo e eu sinto sua falta?
Eu acho que com toda as páginas, as belas palavras, a caligrafia caprichada ou até com todas as piadas e frases curtas, todos dizem isso. Todas dizem
Eu te amo e eu sinto sua falta.
  






IN ENGLISH: 



1.
Now I want to write 425 love poems, one for each day I’ve missed you. I want to write like all those delusional men from the 19th century. I can be delusional, oh yeah. There’s a lot of mockery towards drama, me included, but it can form such a true narration. I’ve always found truth in drama, in songs, in movies, in books, in operas, in myself.
I’ll try.
First attempt on truth: it’s been more than 425 days.


12.      
When we laid naked under the stars, and I knew exactly who you were, that was Heaven.
I no longer know, but I do miss you deeply. It hurts in my stomach.
There’s something in humans, that thing we all feel, deep within, in the core, that doesn’t really change, but fulfills itself. Other things change, as part of the journey, part of a collective personality we all share as brothers and sisters, it floats in the air, in the Universe. What has changed in you? I’d like to know.
As for me, I’ve quit drinking. I’m reading many more books than I used to. I wasn’t able to finish some courses I was taking, that would help me at work, and even the ones teaching languages I always wanted to speak, you know, French and Italian. I feel more at ease, but sometimes I still don’t sleep well. I thought I was an early bird but know I’m in doubt. I understand a few more things about God and Jesus. I think I really like movies and documentaries about serial killers although they terrify me, and I have some thoughts on their brains, their existence, and God. I would love to talk about all this with you... I don’t know if there’s anyone I know that would really discuss shit like that, but you. I’d like to go on much more road trips with you, I regret now not making time for them. And I... I wouldn’t let you go again... I wouldn’t just turn my back... I wouldn’t listen to my pride. I’d fight for you... Never leave you guessing if I loved you or not. You’d know it, oh you would. I’d tell you about the quotes on books I’ve finally read that make me think of you.
Many changes, I think we all change within the course of a day, bouncing from one state to another, they take turns. But here in my core, I will always love you, as I did before, yes I did. It is with my soul that I love you. Even if I can explain it very well, like I enjoy doing with everything... Because maybe these matters of love and soul are not meant to be fully explained. So following the logic of the inexplicable, how tremendous would be the number of letters exchanged by human kind saying just: I love you and I miss you?
I think that with all the pages, the beautiful words, the smart calligraphy or even with jokes and short sentences, they all say this. They all say
I love you and I miss you.

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