Publicado

19:21


Meu conto ''Incidente no café Martinelli'' publicado no livro da Andross em homenagem á São Paulo, toda cinza, toda colorida.

Trecho:

- Mas eu disse a ela que ela ia morrer. Ela confiava em mim.
- Por que você disse isso? – ela perguntou largando sua xícara no balcão e o encarando.
Ele olhou para Ana e depois desviou o rosto, não agüentava por muito tempo. Tentou levantar a cabeça e falar direito com ela, fixou os olhos inexpressivos em qualquer coisa e acendeu outro cigarro.
- Eu disse para Helena há três anos que eu a machucaria, que eu não ia planejar ou desejar, mas eu a faria sofrer, como eu fazia com todos que amava e que também me amavam.
Ele viu a expressão de surpresa nada disfarçada dela e já esperava essa reação. Fugiu da visão daqueles olhos verdes dobrando de tamanho, de novo, e continuou.



E mais dois, publicados no Entrelinhas, também da Andross, uma antologia de contos e microcontos. "Até mesmo Lúcifer" e ''Minha moeda para o barqueiro"
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2477460&sid=0113521721062621376378546&k5=21632CA1&uid=

Trechos:
Até mesmo Lúcifer

- Eu tenho aqui alguns contratos, que meus assistentes distribuirão.
Numa simetria de coreografia ágil, a assistente mulher estendeu um pôster. Naquele pôster não havia uma única imagem universal, era a imagem de Lúcifer, e cada um via ali em cima do nome de Lúcifer, um ser diferente. Cada um via seu padrão de beleza maior, inalcançável e perfeito.


Minha moeda para o barqueiro

Ali, eu estava economizando minhas moedas para o barqueiro. Os gregos colocavam sobre os olhos de seus mortos duas moedas para o barqueiro que os levaria ao reino dos mortos através dos cinco rios de Hades. Estou dentro da realidade agora, e eu estava nela há algum tempo.

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